Hora de votar

José acabou de sair pra votar.

Viu tanto papel na rua que teve pena do gari.
Depois lembrou do que disseram:
“Tem que ter lixo, pro lixeiro ter trabalho”.
Mas e pra ter político, tem que ter o quê?
Tinha 5 votos.
Deputado Estadual: Chico da Feira. Sempre lhe dava um tomate a mais.
Deputado Federal: O locutor da rádio AM. O cara contava piada no ar e rezava Ave Maria logo depois. Não podia dar errado.
Senador: Qualquer um, menos o ex-jogador. Torcia pro time rival.
Governador: Queria votar no professor, mas achava que ele não chegaria lá. Um monte de gente queria votar no professor. Mas todo mundo dizia que ele não ia chegar lá.
Presidente: Tinha candidata. Mas ela era do partido que ninguém gostava. O que é mais importante, a pessoa ou a sigla? Decidiria na urna.
Na fila, ouviu uma galera conversar sobre a eleição.
Falavam como se fosse paredão do Big Brother.
Lembrou das manifestações de Junho de 2013.
Havia um clima de mudança, cidadania.
Ia pra rua quem queria dizer algo, ou ouvir algo.
Hoje era obrigatório, automático. Sem graça.
Chegou a vez de José votar. Percebeu que a “cola” ficou em casa.
Corou, tremeu, sentiu dar um branco geral.
Votou tudo em nulo. “Não vai fazer diferença mesmo”.
E foi embora, comer churrasco no vizinho.
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