Dançarino do ‘Esquenta’: Reviravoltas ou conclusões precipitadas?

Antes o dançarino do ‘Esquenta’ era vítima da violência e arbitrariedade da Polícia Militar. Todo mundo desceu o pau.

Aí me aparece um repórter da Veja, vasculha as redes sociais do garoto, e “apura” que ele PODERIA ter algum suposto envolvimento com traficantes da comunidade.

Pronto! É o suficiente para os donos da verdade mudarem de discurso e dizerem que o Douglas, ou “DG”, teve o que mereceu, que não era santinho coisa nenhuma, que não tinha nada que estar ali, que era amigo de bandido, que…

Parou, parou, parou….

O problema é que vivemos em uma sociedade que forma opinião com base na manchete e subtítulo, que não se dá nem ao trabalho de ler uma reportagem inteira (que dirá questioná-la e pensar em todas as possibilidades dentro dela). Que acredita em 140 caracteres, que bota fé no primeiro resultado de Google que aparece. Mais do que isso, que gosta de apontar o dedo na cara e dizer “você tá certo” ou “você tá errado” com a mesma presunção de imponência de um juiz num tribunal.

Controlem-se, senhores da razão!

Vamos lá. É possível que a Polícia (como em tantas outras vezes) tenha SIM se excedido e cometido um erro. Assim como também pode ser que o rapaz estivesse no lugar errado, na hora errada. Mas será que estava fazendo algo errado? Talvez sim, talvez não. Será que por isso tinha o direito de perder a vida? Dificilmente.

Chegamos ao cúmulo de mudar radicalmente de opinião (o inocente vira vilão) porque um jornalista resolve vasculhar o Facebook do cara, tira as próprias conclusões, as coloca de uma maneira totalmente questionável e tendenciosa (basta ler a tal “matéria”), não traz UM contra-ponto sequer, UMA informação realmente embasada, além de simplesmente o que leu numa página social. No Jornalismo que EU aprendi, daria pra dizer que o colega foi, no mínimo, leviano e irresponsável.

No caso do dançarino do ‘Esquenta’, ainda é prematuro afirmar com todas as letras o que foi exatamente que aconteceu. Os repórteres de verdade ainda estão apurando, da maneira que devem fazer. Só espero que não acabe como o caso Amarildo. Que não acabou.

Portanto, vamos usar um pouco a cabeça antes de compartilhar na timeline alheia afirmações categóricas a partir de algo que nem se deram ao trabalho de checar. Dar a opinião todos têm o direito de dar, é lógico. Democracia é isso. Mas que pelo menos se pare pra pensar um pouco antes de sair por aí escrevendo besteiras.

P.S: Conhecer um traficante por morar no mesmo lugar que ele, ou ter passado a infância com ele, ou ainda ter contato com ele, não te faz um igual a ele. Menos hipocrisia, por favor.

Foto do dançarino Douglas no programa da Regina Casé (Crédito: arquivo pessoal do rapaz)

Foto do dançarino Douglas no programa da Regina Casé (Crédito: arquivo pessoal do rapaz)

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