O ‘X’ da questão

O Brasileiro é tão mesquinho, tão egoísta, que comemora a queda alheia como se
fosse uma vitória sua. E ao invés de se espelhar no sucesso do próximo,
arregala olhos bestiais de inveja obscena e profundo desgosto.

Mas gargalha, sem nem saber direito o por quê, apenas desejando do fundo da
alma que todos se igualem à sua baixeza, e juntos possam chafurdar na lama
como porcos divertidos e conformados.

Como se isso pudesse lavar a sua alma podre e pequena. É a mentalidade do “Se
eu não posso, ninguém pode. Se eu não tenho, ninguém pode ter”.

Não que um cara como o Eike Batista precise da sua peninha, ou da minha. Ele
não está nem aí pra gente. E está bem longe de ser um pobre coitado. Eike
ostentou, foi prepotente em sua própria ambição e tomou decisões equivocadas,
uma após a outra. Mas que ninguém lhe negue a coragem que teve de tentar, e
arriscar. Sim, ele errou também.

Imagem

A imagem diz tudo. Crédito: Fábio Motta (Estadão)

Só acho muito fácil apontar pra cara dele e dizer “Ah, otário! Se ferrou!”, e
logo depois voltar pra realidade e reclamar do salariozinho de merda que ganha
todo mês, em seu empreguinho de merda que empurra com a barriga, enquanto leva
uma vida de merda que só não fica pior porque existe a desgraça dos outros pra
tudo parecer melhor. Ora, estamos no mesmo barco!

O pior de tudo é imaginar que boa parte do bando que ri esse sorriso amarelo
não têm um pingo de coragem pra dar um jeito na própria sorte. Não tem aonde
cair morto, mas se acha um ser superior quando vê a turma se esmagando no
aniversário do Guanabara. E nada faz além de sonhar com o dia em que ganhará
sozinho na Mega-Sena acumulada, enquanto pega o seu Palio 1.0 pra passar o fim
de semana em Rio das Ostras. Sem falar naqueles que estão mais focados no
projeto de lamber as bolas do chefe, pra ver se sobra alguma migalha na
empresa (quem sabe uma promoçãozinha, se a lambida for boa).

A derrota do Eike Batista não é a derrota só de um empresário. É a derrota de
uma porção de gente: de quem o tinha como exemplo, de quem investiu nele, e
principalmente daqueles que embarcaram no seu sonho megalomaníaco. É a derrota
de novos Eikes, que diante deste caos provavelmente irão se acovardar antes de
botar algo na reta. É a derrota de um país inteiro, que vê um dos principais
nomes da sua economia ser ridicularizado e fuzilado pela imprensa
internacional.

Tripudiar da queda do Eike pode ser bem menos engraçado se você lembrar que
milhares chefes de família estão indo pra rua agora, além de outros tantos que
poderiam vir a ter uma chance de prosperar, caso o império seguisse em frente,
crescendo. Gente que se bobear vai competir na próxima entrevista de emprego
com o bobalhão que está morrendo de rir agora.

Mas o que isto importa, não é mesmo? Queremos mais é ter companhia pra culpar
o Governo, culpar os políticos, culpar o capitalismo, culpar o mercado de
trabalho, culpar a inflação, culpar os bandidos, culpar a Internet, culpar o
Obama, culpar a Dilma, culpar o Diabo, mas não culpar a nossa própria
incapacidade em não saber explicar a mediocridade que nos acompanha. Vamos lá,
continuar procurando os outros no fundo do poço e achando que a nossa vida até
que não é das piores. Tá ruim pra todo mundo, pô…

Em um ano, Eike Batista perdeu uma fortuna de 34,5 BILHÕES de dólares. Tolo. Mas ainda
assim vai ter uns 700 milhões que sobraram pra levar a vida com alguma
dignidade. E você, tem quanto aí na conta pra rir da cara dele?

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