Um Gigante acordado e bo-la-dão

O Gigante acordou novamente. E ao que tudo indica, bastante mal-humorado.

Atirou o despertador longe. Deu um safanão no cachorro. Praguejou contra Deus e o mundo. Achou que, passado o furor de Junho, voltaria a repousar em berço esplêndido.

Olhou pela janela e viu professores e policiais caindo na porrada. Com uma galera no meio querendo ajudar, e outra disposta apenas a quebrar o que aparecer na frente. A causa não importa, o negócio é destruir.

Espreguiçou-se. Ligou a TV e viu o prefeito com cara de “fodam-se vocês todos”. Trocou de canal. Um homem havia assaltado uma casa, estuprado a mulher e assassinado a coitada. Foi preso em flagrante, mas logo em seguida ganhou a liberdade. O presídio estava superlotado e não sabiam pra onde mandá-lo. Um bocado de gente com certeza saberia.

Foi escovar os dentes. Estava com uma enxaqueca dos diabos. E a barulheira das bombas e tiros lá fora não ajudavam em nada. Estava desacostumado com isso. Soltou um palavrão cabeludo.  Preferia a inércia e a passividade dos tempos preguiçosos.

Preparou o seu Toddynho, imaginando como o Eike Batista devia estar se sentindo naquele momento. Outra empresa dando prejuízo. Analistas dizendo que ele vai dar calote geral.  Pobre Eike milionário, cada vez menos rico. Mas ainda longe de saber o que é ser pobre.

Foi tomar uma ducha. A vida não tá fácil pra ninguém. Que o diga a Marina Silva. Vai tentar ser presidente da República, mas não consegue nem fazer o seu partido ser aprovado. Rede Sustentabilidade. Nome engraçado, parece nome de mercado. Lembrou da propaganda daquela mulher batendo com a mão, pedindo preço. Imaginou a Marina fazendo o mesmo. Riu.

Entre um bocejo e outro, começou a se arrumar. Escolheu a melhor roupa, sabe que tem que aparecer bonitão, pro resto do planeta achar que aqui é o paraíso na Terra. Ainda mais com a crise nos EUA. Obama mal consegue botar ordem na casa. Nem visitar a Estátua da Liberdade os turistas estão podendo. Sentiu-se um pouco melhor.

Estava pra sair, quando o telefone tocou. Era a Dilma, toda animada. Voltou a ser popular. Toda serelepe e pimpona, twittando e aceitando até brincar com a sua versão boladona. Nem comentou o lance da espionagem. Está mais preocupada em garantir a reeleição.

Relutante, deu uma última olhada pela janela. O pau continuava comendo. Assembleia tomada, vereadores de braços cruzados e estudantes indo soltar pipa, sem aula.

Do seu jeito, o pessoal do Mídia Ninja mostrava tudo em stream pela internet. Talvez passe na MTV depois, com uma resolução melhor.

Reparou que os repórteres estavam meio desnorteados. Tinham que cobrir a confusão, se esquivar dos gases de pimenta e ainda aturar os desaforos dos manifestantes. Que fase…

É, o Gigante acordou. Puto da vida, mas acordou. Quanto tempo ele vai ficar de pé, não se sabe. Vai depender principalmente da capacidade e disposição do seu “povo heroico” em não deixá-lo pegar no sono outra vez.

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