Crise de identidade: a bipolaridade jornalística

Olha como são as coisas.

Quando eu era garotinho (coisa de dois anos atrás) soube que gostava de bancar o repórter ao fazer os meus próprios jornaizinhos, com papel e caneta, na mão mesmo. Era o meu mundinho particular, quando eu dava um tempo na bola e no pique-pega com os amigos pra extravasar alguma criatividade.

O tempo passou – não vem ao caso quanto! – eu cresci e me tornei um jornalista, de fato. Mas, porém, contudo, no entanto, todavia, se um dia cheguei a pedir uma máquina de escrever no Natal, hoje uma cartinha dessas seria improvável pro Papai Noel.

A molecada hoje quer computador, iphone, ipad, ultrabook, tablet, parafernália eletrônica. Aí começam aquelas intermináveis discussões sobre o futuro do Jornalismo, se o impresso vai acabar, as crises de identidade (Escrevo? Tiro foto? Filmo? Subo de uma vez? Apuro mais um pouco? Quem sou eu? Pra onde vou?)…

Parem as máquinas e arrumem um divã pra esse povo, urgentemente. Estamos vivendo a era que eu humildemente batizo como ‘A crise de identidade jornalística’.

Seria necessário um blog inteiro só pra falar sobre isso. Prefiro então dividir com você, prezado leitor, apenas algumas considerações, acerca do que andei lendo neste final de semana.

1 – O periódico impresso há mais tempo em atividade no mundo (‘Lloyd’s List’, da Inglaterra) vai migrar totalmente pro mundo online. Depois de 279 anos.

2 – Professores entrincheirados na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro exigem crachá dos repórteres pra permitir que eles acompanhem o protesto. Na certa já têm seus próprios celulares pra filmar e textos pra postar no Facebook.

3 – Filha de Nelson Mandela dispara contra a Imprensa: “De verdade, são como abutres esperando que o leão acabe de comer o búfalo para depois se aproveitarem da carniça. Essa é a imagem que temos, como família”. Tá, isso não é novidade. Repórteres são assim desde que Gutemberg inventou a prensa.

Ser jornalista hoje em dia está bastante complexo. Tanto nos direitos como nos deveres. Até porque está se tornando comum a cultura de “estar” jornalista, não a de “ser” um. Em meio a isso temos uma classe extremamente desunida e heterogênea, crises internas (mídia tradicional x Mídia Ninja), esvaziamento de veículos importantes, e por aí afora. É preciso se reinventar.

Agora, justiça seja feita. Ao mesmo tempo em que causou o fechamento de portas em muitos lugares tradicionais, a internet também ampliou as possibilidades e o leque de opções pra quem está na área. São inúmeros cargos novos, como o analista de mídias (ou redes) sociais, ou os redatores de webtvs, por exemplo. Sem falar no nosso amigo Google, que já salvou muita gente.

Deixemos o romantismo de lado um pouco, bem como a utopia de querer mudar o mundo. O problema é que, assim como entre os jogadores de futebol, apenas uma privilegiada minoria desfruta da fama, glamour e dinheiro que a carreira pode oferecer. A maioria é peãozada, que mal sabe pra onde ir ou a quem recorrer. Procura ser multimídia para o bem da profissão e acaba sendo Bombril para a conveniência do empregador.

E aí amigo, não há pragmatismo que resista.

O que vai ser do futuro? Sei lá. Quem disser que sabe, tá mentindo. Só sei que a minha velha e empoeirada máquina de escrever olha pra mim neste momento, com uma melancolia de dar dó.

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