Medos

Chamei meus medos pra conversar.

Sentamos todos, civilizadamente. Um papo franco, de homem pra… medo.

Eles pareciam zombar, divertidos, acreditando ter o controle da situação.

Coitados.

Não demorou muito e eu apontei o dedo na “cara” de cada um, levantei a voz e disse que nenhum deles iria me intimidar ou atrapalhar meus projetos de vida.

Aí, meu amigo, o negócio ficou tenso.

Coragem, o cão covarde. Cartoon Network.

Coragem, o cão covarde. Cartoon Network.

Voou cadeira pra tudo que é lado, caco de vidro e coquetel molotov. “Tu acha que vai sair dessa?”, ameaçou um. “E se der tudo errado?”, desafiou outro.

Eu retrucava como podia, mas eles não estavam pra brincadeira: “E se te faltarem pernas?”… “Cuidado com a frustração”… “Arriscar pra quê? Antes o certo que o duvidoso”… “Cadê a tua auto-estima pra te salvar?”… “E se te decepcionarem?”… “Sonha outra coisa, essa tá complicada”… “E se ao invés do SIM vier um sonoro NÃO?”… “E quando as palavras te abandonarem?”… “Vão duvidar da tua capacidade”… “Não, recomeçar não!”… “E o risco de rejeição?”… “Você não tá preparado”…”E se você não for bom o bastante?”… “E se partirem seu coração outra vez?”…

Aham, pegaram pesado. Lógico. Medo que é medo vai aliviar?

Nessas horas não tem Bope, nem tropa de choque ou míssil teleguiado pra ajudar. É você e os teus medos.

Sem dizer palavra sequer, levantei a cabeça, endireitei o corpo e os encarei. Com olhos em lágrimas, mas encarei.

Diante de tamanha afronta, meus medos ficaram meio confusos, atordoados, incertos.

“Quem esse cara pensa que é pra nos olhar assim?”, perguntavam, baixinho, uns aos outros.

E então fui me afastando, calado. Pernas tremendo. Não me virei não. Apenas bati a porta com toda a força que tinha… e os deixei lá.

Eu sei, uma hora eles vão sair de novo.

Mas a coragem não está em reprimir o medo ou fingir que ele não existe. É saber que ele está ali e só vai te deixar em paz se você souber conviver com ele.

Se é “medinho” ou “medão”, não importa. Chama pra conversar. Se acabar o diálogo, cai na porrada. Se a desvantagem for evidente, encara, não foge não.

Só deixa bem claro: enquanto ele estiver ali, quem manda nessa porra é você.

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