I have a dream

Uma pena o sonho de King ainda não ter se realizado...

Uma pena o sonho de King ainda não ter se realizado…

 

Eu tive um sonho…

Não como aquele que Martin Luther King teve, 50 anos atrás.

Mas ainda assim, um sonho.

Nele tudo parecia se encaixar melhor. As pessoas não eram tão intolerantes e dissimuladas. Não havia preconceitos contra médicos cubanos, nem existiam políticos homofóbicos. Aliás, nem corrupção se via.

No meu sonho nada era apenas por 20 centavos.

Nele a natureza reinava, exuberante, rica, flora e fauna. Os carros superpotentes davam lugar a divertidas bicicletas. O ar dava gosto de puxar pelos pulmões. Poluição inexistia, e olha que nem cobravam multa pra quem jogasse lixo no chão.

Lembro de haver respeito ao próximo, à liberdade de expressão, ao direito de ir e vir. Aos mais velhos, às crianças, às minorias. Espera… eu disse minorias?

Não. No meu sonho não tinha isso. Ninguém se importava em ficar contando quantos tinham de cada, seja qual fosse a orientação sexual, política ou religiosa.

No meu sonho havia respeito.

Era uma época de paz, onde o tom de voz só se elevava quando amigos se encontravam na rua e explodiam de alegria. E era possível andar sem medo, sem desconfiança. Sem precisar atravessar a rua com medo de ser assaltado.

Todos se olhavam nos olhos.

Cada um tinha o suficiente pra viver feliz. E as mesmas oportunidades pra atingir essa felicidade. Cabia a você aproveitar ou não. Sem se preocupar com a vida alheia, com o que o próximo faz ou deixa de fazer.

No meu sonho havia espaço pra todos.

Apesar de tudo, não era um mundo perfeito. As pessoas não duravam pra sempre, os planos não duravam pra sempre. Nem todos os amores eram eternos. Mas pelo menos, era mais justo.

Não havia esse medo todo. Medo de perder, medo de tentar, medo de se envolver, medo de ser enganado, medo de sofrer, medo de arriscar, medo de recomeçar. Havia sim um receio, uma certa dúvida. Mas a vontade de tentar… ah, essa era ainda mais forte!

No meu sonho as pessoas iam de peito aberto.

Não eram personagens em si mesmas. Não usavam máscaras, nem pra protestar. Cara limpa. E também não faziam tipo nas redes sociais e mostravam outra coisa pessoalmente.

No meu sonho havia verdade.

Querido Martin Luther King, não sei o que você falaria no seu discurso hoje. Mas passado meio século das suas palavras, só me resta um suspiro melancólico, algum brilho no olhar, um sorriso tímido no canto da boca, e uma certeza:

Ainda há muitos sonhos pra sonhar.

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